Últimas notícias
Agricultura

Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol reúne 1.500 pessoas em São Paulo (SP)

Evento chegou a 26ª edição neste ano, apresentando as principais tendências para os mercados do adoçante e do biocombustível

15:38

Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol reúne 1.500 pessoas em São Paulo (SP)
Nesta segunda (26) e terça-feira (27), a DATAGRO promoveu a 26ª edição da Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol, evento consolidado na agenda do setor sucroenergético, que discute as principais tendências para os mercados do adoçante e do biocombustível.

O evento reuniu mais de 1.500 pessoas na capital paulista, entre usineiros, plantadores de cana-de-açúcar, representantes do setor automotivo, agentes do mercado financeiro, entre outros que estão direta ou indiretamente ligados à cadeia produtiva e consumidora do açúcar e do etanol.

As mais de 16 horas de conteúdo técnico abordaram os desafios e oportunidades que definem o momento atual: análise de safra, transição energética, papel estratégico dos biocombustíveis na descarbonização global, políticas públicas e marcos regulatórios.

A programação também explorou rotas de diversificação, além de tendências em tecnologia agrícola, comercialização internacional e novos modelos de financiamento.

Confira a cobertura de cada painel:

Cerimônia de Abertura


Na abertura da 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, lideranças do setor destacaram o papel dos biocombustíveis na segurança energética e na descarbonização. Segundo o anfitrião e presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, o etanol substituiu 52,2% da gasolina consumida no Brasil nos últimos dois meses.

O deputado Arnaldo Jardim ressaltou que o combustível funciona como proteção diante das incertezas do mercado de petróleo. Já Evandro Gussi, da Unica, apontou oportunidades para o etanol na aviação e no transporte marítimo, enquanto Nastari também destacou o potencial dos veículos híbridos nas próximas décadas.

Confira a cobertura completa

Painel 1


No painel sobre as perspectivas para a safra 2026/27, a DATAGRO projetou a moagem de 640,5 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, alta de 4,8% ante o ciclo anterior, e uma produção de 38,42 milhões de toneladas de açúcar, queda de 5%.

Já a fabricação de etanol deve crescer 10,4%, para 37,21 bilhões de litros, impulsionado pelo mix mais alcooleiro e também pelo aumento da produção a partir do milho.

Plinio Nastari destacou que as chuvas em São Paulo têm atrasado a colheita e a moagem, mas a umidade favorece o desenvolvimento dos canaviais, o que deve gerar um elevado volume de cana bisada para a safra 2027/28.

Confira a cobertura completa.

Painel 2


No segundo painel do evento, o diretor-executivo da Organização Internacional do Açúcar (OIA), José Orive, afirmou que subsídios governamentais concedidos por países produtores, especialmente os mais industrializados, distorcem a competitividade no mercado global de açúcar e etanol. Ele citou mais de US$ 15 bilhões destinados ao setor açucareiro dos Estados Unidos e US$ 33,6 bilhões à cadeia do etanol de milho.

Para Orive, essa competitividade é sustentada por recursos fiscais, não pela eficiência. Como alternativas, defendeu produtos de maior valor agregado e destacou que choques no petróleo ampliam oportunidades para os biocombustíveis.

Confira a cobertura completa.

Painel 3


O terceiro painel da Conferência debateu os caminhos para produzir etanol com intensidade de carbono neutra ou negativa. A Cocal destacou o aproveitamento de subprodutos da cana e o uso de biometano na frota como alternativa, enquanto a FS apresentou projetos de descarbonização industrial e desafios regulatórios e metodológicos para zerar emissões líquidas.

A indiana Mist Ressonance Engineering abordou tecnologias para aumentar a eficiência produtiva, e a Embrapa destacou soluções como captura e armazenamento de carbono (BECCS), biocarvão e contabilização das mudanças no uso da terra.

Confira a cobertura completa.

Painel 4


O uso de etanol em máquinas agrícolas e veículos pesados foi o tema central debatido no quarto painel do evento. Segundo a Bosch, uma tecnologia acoplada a motores diesel já permite substituir, em média, 40% do combustível fóssil por etanol em colhedoras de cana.

A John Deere também realiza testes de campo com máquinas movidas a biocombustível, avaliando desempenho e custo-benefício. Já a Grunner desenvolve, com parceiros, caminhões para transbordo de cana movidos a etanol e biometano, em operação comercial.

Confira a cobertura completa.

Painel 5


O quinto painel da Conferência debateu os desafios para ampliar a produção e o consumo de combustível sustentável de aviação (SAF). O coordenador de Assuntos de Combustíveis Sustentáveis de Aviação do Ministério de Minas e Energia, Darlan Silva dos Santos, destacou que a Lei do Combustível do Futuro prevê metas de redução de emissões para a aviação a partir de 2027, começando em 1%.

O mecanismo Book & Claim também foi apresentado como forma de financiar a descarbonização. Segundo a KPMG, o setor poderá exigir entre US$ 1 trilhão e US$ 1,5 trilhão em investimentos até 2050.

Confira a cobertura completa.

Painel 6


No sexto painel do evento, João Irineu Medeiros, vice-presidente de assuntos regulatórios da Stellantis na América do Sul, afirmou que o veículo híbrido flex brasileiro abastecido com etanol pode emitir menos gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida do que o elétrico europeu.

Segundo ele, 55% das emissões do setor automotivo estão ligadas à fabricação dos veículos e 45% à fonte de energia utilizada durante o ciclo de vida. O executivo também apontou que, mesmo onde o etanol é mais competitivo, muitos consumidores ainda preferem gasolina por desconhecimento das vantagens econômicas e por mitos técnicos já superados – cenário esse que pode e deve ser revertido.

Confira a cobertura completa.

Painel 7


No sétimo painel do evento, o diretor do Ministério de Minas e Energia (MME), Marlon Arraes, antecipou a informação de que a pasta pretende publicar até o fim de novembro a portaria que estabelecerá os testes para ampliar a mistura de etanol anidro na gasolina para 35% (E35).

Segundo Arraes, os ensaios devem começar em janeiro de 2027 e terminar até meados do ano, avaliando durabilidade dos motores, compatibilidade dos veículos e sistemas de distribuição. O governo também prepara um projeto de lei sobre combustíveis sustentáveis na navegação marítima, com apresentação prevista até o fim de 2026.

Confira a cobertura completa.

Painel 8


A descarbonização da navegação marítima pode abrir um enorme mercado internacional para o etanol brasileiro, conforme apresentado pelos palestrantes no oitavo painel da Conferência.

Os almirantes José Augusto da Cunha de Menezes e Claudio Mello destacaram que o Brasil já possui experiência na produção do biocombustível, mas precisará avançar nas negociações regulatórias da Organização Marítima Internacional (OMI).

A expansão também depende de articulação entre governo, produtores, armadores e portos, além de investimentos em infraestrutura e adaptações tecnológicas.

Confira a cobertura completa.

Painel 9


No nono painel do evento, presidentes das principais associações e entides produtivas do setor sucroenergético apresentaram suas visões e pontos que merecem atenção. A cobertura completa do que cada participante falou você encontra no instagram do Universo Agro.

Painel 10


Conforme apresentado no décimo painel do evento, os fundos especulativos ampliaram suas posições líquidas compradas em contratos futuros de açúcar na Bolsa de Nova York (ICE), impulsionados por expectativas de possíveis impactos do El Niño sobre a safra 2026/27 de cana no Centro-Sul do Brasil.

Segundo Jeremy Austin, diretor da Sucden, as posições compradas passaram de cerca de 100 mil contratos no fim de agosto para mais de 200 mil em outubro, equivalentes a aproximadamente 15 milhões de toneladas de açúcar.

Paulo Garcia, da Vital Commodities, alertou para o risco de uma bolha, enquanto Mario de Rezende Barbosa, da LDC, citou a menor produção europeia também como um importante fator de sustentação.

Confira a cobertura completa.

Painel 11


A combinação entre eletrificação e etanol foi apontada como alternativa para descarbonizar o transporte no Brasil durante o penúltimo painel da 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol. Representantes da Anfavea, BYD e ABVE destacaram que a experiência brasileira com veículos flex e a matriz energética nacional favorecem a integração das tecnologias.

Os participantes também ressaltaram a importância de segurança regulatória, escala produtiva e competitividade para ampliar investimentos. Outro desafio é avançar no reaproveitamento e na reciclagem das baterias de veículos elétricos após sua vida útil.

Confira a cobertura completa.

Painel 12


No último painel do evento, o Banco Pine projetou que o Produto Interno Bruto do Agronegócio (PIB) brasileiro poderá recuar em 2027 devido aos impactos do El Niño. Segundo o diretor-executivo da instituição, Cristiano Oliveira, o fenômeno pode reduzir a área plantada e a produtividade média, além de provocar perdas em determinadas culturas e regiões.

O executivo também avaliou que 2027 será desafiador para a economia global e brasileira, mas demonstrou expectativa de melhora em 2028. No cenário internacional, destacou geopolítica, inteligência artificial, demografia, transição energética e novos modelos financeiros como tendências que moldam a economia.

Confira a cobertura completa.

Mais Notícias